Site de Poesias


Nosso Relógio

 
Meu amor eu não posso compreender
A simples falta que me faz você
Procuro as palavras para expressar
Mais me perco na dor do meu pesar
E neste tic-tac esqueço tudo o que poderia te dizer
 
Sinto-me perdido nesta confusão
E nestes ponteiros tento achar uma explicação
E me questiono se existe perdão
Vejo uma luz pelo buraco de uma agulha
E uma porta larga chamado erro
 
São mais de 1000 dias que passei ao seu lado
No inicio também foi complicado
Descobríamos as maneiras de cada um pensar
Compartilhamos sorrisos, tristeza
E perdíamos as horas em uma vontade incontrolável de beijar
 
Desafiamos o tempo
Como foi bom te amar
E assim vieram os planos
E frases do tipo:
- Daqui a dois meses iremos para tal lugar.
 
Mais na vida nem tudo é tão pontual
Alguns contratempos estavam no nosso caminho
Olhávamos no mesmo relógio
E simplesmente víamos dois tempos diferentes
Aprendemos a respeitar algumas diferenças
 
Outras preferimos nem justificar
E as horas nestes relógio foram passando
Foram mais e 24.000 horas que aprendi a te amar
As engrenagens já desgastadas
Continuavam a funcionar
 
Até o dia que os minutos ele parou de marcar
Sentamos lado a lado
Consertamos o que havia de errado
E logo voltara a funcionar
Atrasava de tempo em tempo
 
Algumas vezes parecia um cronômetro regressivo
Eu não sabia o que ali estava marcando
Mas foi chegando próximo ao zero
Eu resolvi parar
Meu despertador era você
 
E assim fui acordado nesta madrugada
Entorpecido pelo sono
Demorei a acreditar
Cobrava-me alguns minutos do meu passado
Novamente colocava em minhas mãos
 
Um relógio espatifado
Tentei mostrar o que havia sido avariado
E o ponteiro desconfiança não saia do lugar
O ponteiro normalmente conhecido como segundos
Estava emperrado na magoa
 
Mais apenas um continua a funcionar
Lento e cansado
O ponteiro chamado amor ainda tentava
Mesmo com o vidro embasado
Via o tempo se perdendo
 
Nem olhei nos seus olhos
Mas tinha certeza que algo ali havia se quebrado
Foi ao chão
Como todos os nossos momentos juntos
Perdia-se no meio da graxa dos nossos erros
 
O meu pulso é um jazido vazio
Ali ficava o  relógio do meu amor
Meus olhos estão vagando perdido nestas horas
Minha mente me leva para um lugar obscuro
Onde me falta o tempo para estar com você
 
Assim termino estas palavras
Com os minutos que nos resta...

Estas palavras descrevem um maneira de matar o tempo... Curitiba

Leonardo Dibe
05/10/2008

  • 2 comentários
  • 361 visualizações neste mês
  • © Todos os direitos reservados